Gestão de Stocks
| Atributo | Valor | Fonte |
| Tipo de entidade | Processo de negócio e função operacional | Cegid |
| Métodos de valorização | FIFO, LIFO, custo médio ponderado | SNC / NCRF 18 |
| Métodos de controlo | Mínimo/máximo, ponto de encomenda, revisão periódica, MRP, JIT | Cegid |
| KPIs típicos | Rotação, cobertura em dias, taxa de rutura, taxa de obsolescência | Cegid |
| Obrigação em PT | Comunicação de Inventários à AT (empresas > 100 000 €) | Portaria 126/2017 |
| Integração | ERP, WMS, POS, e-commerce, contabilidade | Cegid |
O que é a gestão de stocks?
A gestão de stocks é o conjunto de processos operacionais e contabilísticos que visam controlar as entradas, permanências e saídas de mercadorias num armazém, garantindo o equilíbrio entre a procura e os custos associados à posse de inventário.
A gestão de stocks é uma área crítica das empresas. Se for bem feita, assegura a quantidade certa de produtos quando são necessários, de forma a evitar tanto a falta de material como a acumulação excessiva.
Em termos práticos, procura prevenir ruturas de stock (que resulta na perda direta de vendas e na insatisfação dos clientes) e, simultaneamente, evitar o excesso de inventário, que imobiliza capital de exploração e aumenta os custos de armazenagem.
Que tipos de gestão de stocks existem?
Existem diferentes formas ou estratégias de gestão de stock, desde a gestão em push ou pull. A gestão de stocks passa ainda por outras decisões, como centralizar ou distribuir stocks ou consignação.
A tipologia de gestão de stocks define a forma como uma organização estrutura o fluxo de mercadorias ao longo da sua cadeia de abastecimento, adaptando-se ao modelo de negócio e ao comportamento do mercado. As principais abordagens dividem-se em:
- Gestão de Stock em Push: O planeamento baseia-se em previsões de vendas futuras- Antecipa a produção ou compra e armazena a mercadoria antes do pedido do cliente final.
- Gestão de Stock em Pull: A reposição só é iniciada quando existe uma procura real ou encomenda confirmada do cliente, o que minimiza os custos de armazenagem e o risco de excedentes.
Existem ainda outras decisões estratégicas na gestão de stocks, como, por exemplo, a decisão de centralizar ou distribuir stocks. Na gestão centralizada, todo o inventário está concentrado num único armazém para otimizar custos; na descentralizada, o stock é distribuído por múltiplos armazéns ou lojas para aproximar o produto do cliente final e reduzir tempos de entrega.
Outra abordagem comum à gestão de stock passa pela consignação. Neste caso, o fornecedor mantém a propriedade das mercadorias que estão fisicamente nas instalações do cliente. A faturação e o registo do custo apenas quando os bens são vendidos ou consumidos.
Principais métodos de valorização: FIFO vs. LIFO vs. custo médio
Os métodos de valorização de stocks definem o critério utilizado para atribuir um custo aos produtos que saem do armazém e determinar o valor do inventário final. Entre os métodos mais comuns encontram-se o FIFO e o Custo Médio Ponderado. O método LIFO também é frequentemente referido, embora não seja permitido em Portugal.
No método FIFO, considera-se que os primeiros produtos a entrar em armazém são também os primeiros a ser vendidos ou consumidos. Assim, o custo das saídas é calculado com base nos preços das unidades mais antigas, enquanto o stock final é valorizado pelos custos das aquisições mais recentes.
Já no Custo Médio Ponderado, todas as unidades disponíveis são valorizadas a partir de um custo médio, calculado tendo em conta as quantidades adquiridas e os respetivos preços. Sempre que entram novos produtos, esse custo médio pode ser recalculado e aplicado às saídas seguintes.
Embora estes métodos não determinem necessariamente a movimentação física dos produtos, influenciam a forma como os custos são registados. A escolha do método pode, por isso, alterar o custo das mercadorias vendidas, o valor atribuído ao stock final e os resultados apurados pela empresa.
| Método de Valorização | Funcionamento |
| FIFO (First In, First Out) | Os primeiros artigos a entrar são os primeiros a sair. O stock final reflete os custos de aquisição mais recentes. |
| Custo Médio Ponderado (CMP) | O custo de cada unidade em stock é recalculado através da média ponderada dos custos de compras efetuadas. |
Métodos e sistemas de planeamento e reposição de stocks
A gestão e reposição de stocks pode recorrer a diferentes métodos, sistemas e filosofias para determinar quando encomendar, que quantidade adquirir e como assegurar a disponibilidade dos produtos ou materiais. Entre as principais abordagens encontram-se o método de mínimo e máximo, o ponto de encomenda, o Material Requirements Planning (MRP) e o Just-in-Time (JIT).
A adoção de critérios rigorosos de planeamento e reposição reduz a dependência de decisões empíricas, ajuda a evitar ruturas, limita a acumulação excessiva de inventário e assegura a continuidade da operação. Embora cumpram objetivos semelhantes, estas abordagens funcionam de formas distintas.
- Mínimo e Máximo. Define um nível mínimo de stock, abaixo do qual é necessário efetuar uma reposição, e um nível máximo, que limita a quantidade armazenada. Quando o stock atinge o mínimo, é realizada uma encomenda suficiente para o repor até ao nível máximo.
- Ponto de Encomenda (Reorder Point). Estabelece o nível de stock que desencadeia um novo pedido de compra. Este valor é normalmente calculado com base no consumo médio durante o prazo de entrega do fornecedor, podendo incluir ainda um stock de segurança para prevenir atrasos ou variações da procura.
- MRP (Material Requirements Planning). Sistema de planeamento que calcula quais os materiais e componentes necessários, em que quantidades e em que datas. O cálculo é feito a partir do plano de produção, das encomendas previstas, das fichas técnicas dos produtos, dos stocks existentes e dos prazos de entrega.
Just-in-Time (JIT). Filosofia de gestão que procura reduzir o inventário ao mínimo, coordenando as compras, a produção e as entregas para que os materiais cheguem apenas quando são necessários. Exige uma elevada previsibilidade da operação e fornecedores capazes de cumprir prazos curtos e regulares.
Quais os principais KPI para a gestão de stocks?
Os principais indicadores-chave de desempenho (KPI) que medem a eficiência do inventário incluem: taxa de rotação, os dias de cobertura, a taxa de rutura e o valor imobilizado em armazém.
A monitorização regular dos seguintes KPI permite identificar pontos críticos de ineficiência operacional:
- Rotação de stock: Mede quantas vezes o inventário médio é vendido e renovado durante um determinado período. Quanto maior for a rotação, menor é o tempo de permanência da mercadoria no armazém.
- Dias de cobertura: Indica durante quantos dias o nível atual de stock consegue dar resposta às vendas previsíveis sem necessidade de nova reposição.
- Taxa de rutura: Percentagem de encomendas ou artigos que não puderam ser satisfeitos por falta de produto disponível no momento do pedido.
Taxa de obsolescência e quebras: Percentagem de stock que perdeu o valor comercial devido a danos físicos, ultrapassagem do prazo de validade ou falta de procura.
Comunicação de inventários à Autoridade Tributária
A comunicação de inventários é uma obrigação fiscal que exige a submissão, até 31 de janeiro, da lista de existências no final do ano anterior à Autoridade Tributária.
A obrigatoriedade de comunicação de inventários à AT aplica-se a todas as entidades com sede ou domicílio fiscal em Portugal com contabilidade organizada.
A submissão e o cumprimento desta obrigação regem-se pelas seguintes regras e prazos legais:
- Prazo limite de submissão: A comunicação deve ser efetuada até ao dia 31 de janeiro do ano seguinte ao do encerramento do exercício.
Formato: Ficheiro estruturado em XML ou submetido via CSV/XML validado no Portal das Finanças, contendo tipo, código, descrição, quantidade e valor de fecho de stock.